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15.02.2018

FEBRE AMARELA: ENTREVISTA COM O FARMACÊUTICO CLIOMAR ALVES DOS SANTOS



Entre o período de 1º de julho de 2017 a 06 de fevereiro deste ano, já foram registrados no Brasil 353 casos de febre amarela, resultando em 98 mortes. Aumentando em 66% os índices de registros, com 140 casos e 17 mortes a mais do que havia na semana anterior. Visando informar a população, para auxiliar na prevenção e combate à doença, o Conselho Regional de Farmácia de Sergipe (CRF/SE) convidou o farmacêutico-bioquímico Cliomar Alves dos Santos para conversar sobre as melhores maneiras de agir contra a febre amarela. Confira abaixo suas recomendações:

 

CRF/SE - Como o profissional farmacêutico pode ajudar a população na prevenção contra a febre amarela?

CAS - O farmacêutico pode orientar quanto à sintomatologia, que é sugestiva a casos de febre amarela e à transmissibilidade da doença, bem como orientações quanto à sua prevenção e vacinação. Além disso, informar que os macacos não são os transmissores da doença e sim tão vítimas quanto os humanos. A febre amarela é transmitida por um mosquito infectado por seu vírus. Nas regiões de mata, os insetos dos gêneros Haemagogus ou Sabethes picam macacos com a doença e, então, podem passá-la a seres humanos nas redondezas.

 

CRF/SE - Quais os procedimentos indicados pelos farmacêuticos em casos de epidemia?

CAS - Em casos de epidemias, todos os profissionais de saúde têm prioridade às medidas de proteção individual, como à vacina contra a febre amarela, para garantir que os cuidadores dos doentes não se hospitalizem e diminuam o efetivo no tratamento a pessoas infectadas. Os profissionais farmacêuticos podem ajudar as autoridades de vigilância a identificar casos suspeitos e áreas de risco com morte de macacos a fim de que se proceda com a notificação para o Ministério da Saúde, bem como o acompanhamento do caso pelos órgãos envolvidos.

 

CRF/SE - Quando a vacina contra a febre amarela é indicada?

CAS - Devem ser vacinadas apenas as pessoas que vivem ou viajam para as áreas de recomendação da vacina, crianças a partir de nove meses e adultos até 59 anos. A população que não vive na área de recomendação, ou não vai se dirigir a essas áreas, não precisa buscar a vacinação neste momento. A vacina contra febre amarela é a medida mais importante para prevenção e controle da doença e apresenta eficácia de 95% a 99%, além de ser reconhecidamente eficaz e segura. Entretanto, assim como qualquer vacina ou medicamento, pode causar eventos adversos como febre, dor local, dor de cabeça, dor no corpo. Para algumas pessoas, a vacina é contraindicada.

 

CRF/SE - Quais cuidados a população deve tomar para ajudar na prevenção dessa doença?

CAS - A população deve se ater às seguintes informações referentes à transmissão urbana da febre amarela: Ela só é possível através da picada de mosquitos Aedes aegypti e a prevenção da doença deve ser feita evitando sua disseminação. Os mosquitos são criados na água e proliferam-se dentro dos domicílios e suas adjacências. Qualquer recipiente como caixas de água, latas e pneus contendo água limpa são ambientes ideais para que a fêmea do mosquito ponha seus ovos, de onde nascerão larvas que, após se desenvolverem na água, se tornarão novos mosquitos. Portanto, deve-se evitar o acúmulo de água parada em recipientes destampados. Para eliminar o mosquito adulto, em caso de epidemia de dengue ou febre amarela, deve-se fazer a aplicação de inseticida através do "fumacê”. Além disso, devem ser tomadas medidas de proteção individual, como a vacinação contra a febre amarela, especialmente para aqueles que moram ou vão viajar para áreas com indícios da doença. Outras medidas preventivas são o uso de repelente de insetos, mosquiteiros e roupas que cubram todo o corpo.







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