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22.02.2018

TESTES DE HIV SÃO LIBERADOS EM FARMÁCIAS



O primeiro teste de farmácia para detectar HIV registrado no Brasil foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) em maio de 2017 e detecta a presença de anticorpos contra o vírus HIV a partir da coleta de sangue. No entanto, só pode indicar a presença do vírus após 30 dias de contato por meio de relação sexual desprotegida ou compartilhamento de seringas. Esse período é o tempo que o organismo precisa para produzir anticorpos em níveis que o autoteste considera reconhecer.  A ideia do registro do autoteste vinha sendo estudada desde 2015, ano em que a ANVISA havia regulado o registro de produtos para diagnóstico in vitro do HIV. Em dezembro de 2017, foram registrados mais dois novos autotestes para realização a partir da coleta de fluido oral, mas a janela imunológica só consegue detectar após três meses de exposição. Confira a entrevista com a farmacêutica Débora Oliveira - especialista em Gestão de Política de IST, AIDS, Hepatites Virais e Tuberculose – para tirar as dúvidas sobre o assunto:

 

 

CRF/SE - Qual o procedimento de requisição e aplicação do teste de diagnóstico do HIV nas farmácias?

DO - O embaraço de ir ao médico e pedir a requisição para o teste, depois ir ao laboratório e aguardar por um tempo até a resposta não existe mais. Desde a década de 80 a realização dos testes-rápidos já acontece gratuitamente pelo SUS nos Centros de Testagem e Acolhimento (CTAs) de todo o Brasil e a partir de 2003 com a descentralização para as Unidades Básicas de Saúde intensificou a possibilidade de maior cobertura e acessibilidade. Funcionam por demanda espontânea e/ou encaminhamento de qualquer profissional de saúde que sinalize a partir de um atendimento comportamento de riscos e vulnerabilidades. Conforme a Portaria nº 29 de 17 de dezembro de 2013 que aprova o Manual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV em adultos e Crianças, qualquer profissional pode realizar o teste-rápido desde que tenha sido capacitado pessoalmente ou à distância e para assinatura dos laudos, os conselhos profissionais regionais devem ser consultados, uma vez que são eles que habilitam os profissionais. O Ministério da Saúde disponibiliza a Plataforma on-line (telelab.aids.gov.br) onde estão disponíveis vídeos para essa finalidade.

A venda livre nas farmácias para rastreio do HIV é destinado às pessoas que querem total privacidade. Antes de aplicar o teste é importante conhecer o passo a passo de como realizar o procedimento.

 

CRF/SE - Quais os benefícios que essa nova possibilidade de diagnóstico traz para a população?

DO - O Brasil é modelo no combate à AIDS por incorporar rapidamente tecnologias que são capazes até de negativar o vírus HIV. O exame nas farmácias é mais um avanço que consolida a lógica de que o cidadão vai ter mais uma forma de acesso e com isso pode antecipar o início do seu tratamento e evitar a contaminação pára eventuais parceiros, mas a orientação adequada de uma equipe especializada, como hoje acontece na rede pública apontam a importância da informação na ausência do aconselhamento pré e pós-teste e o acompanhamento por profissionais qualificados. O farmacêutico nesse momento tem papel imprescindível na orientação adequada quanto à realização do exame, interpretação do resultado, com a identificação dos riscos e vulnerabilidades e oferecer esclarecimento para onde a pessoa deve se dirigir em caso de resultado positivo e caso o usuário tenha dúvidas sobre o vírus (HIV) e a doença (AIDS) ou sobre o resultado do teste importante conhecer que tem o Disque 136 do Ministério da Saúde.

 

CRF/SE - Quais atitudes devem ser evitadas?

DO - Os testes de farmácia são uma ferramenta a mais e muito importante no diagnóstico e combate ao HIV, mas precisamos ter ciência que na hora de receber um resultado de um teste de HIV, cada pessoa é um universo. E aí vem o desafio de se descobrir sozinho e sem acolhimento ser portador de um vírus ainda cercado de estigmas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) vê o teste como um avanço na prevenção do HIV e os possíveis efeitos negativos podem ser minimizados se o teste for disponibilizado junto com informações adequadas e acompanhadas de uma abordagem de respeito aos direitos humanos e com o envolvimento da comunidade. Antes de fazer um exame desse tipo é preciso se preparar, principalmente lembrar que, se fez sexo sem camisinha, teve um comportamento de risco, pode receber um resultado positivo.

 

CRF/SE - Como os farmacêuticos devem lidar com a informação dos resultados?

DO - A orientação é de que quando o exame der reagente a pessoa procure o Sistema Único de Saúde. O autoteste é considerado de triagem e se o resultado der positivo recomenda-se confirmá-lo com exames complementares que servem para comprovar o resultado. Em caso de não-reagente deve ser repetido após 30 dias da exposição. Aracaju possui o Centro de Testagem e Aconselhamento e o Serviço de Atenção Especializada às Pessoas Vivendo com HIV/AIDS que ficam situados à Rua Bahia – CEMAR – B. Siqueira Campos.

 

Existe um cuidado a tomar com o teste HIV de farmácia relatado por ativistas, soropositivos, médicos e o Ministério da Saúde:

·         Busque um médico infectologista e comece a tratar o quanto antes. Quanto mais rápido se inicia o tratamento, menor é a chance de transmissão do vírus e melhora qualidade de vida.

 

Importante a educação em saúde como o caminho para sensibilizar a população sobre a prevenção dos agravos e mudança de hábitos sexuais.







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